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Comando de Talatona: Kinguilas forçadas a ficar completamente nuas e são revistadas até nos órgãos genitais

Comando de Talatona: Kinguilas forçadas a ficar completamente nuas e são revistadas até nos órgãos genitais


As mulheres que se dedicam a troca de dinheiro ao câmbio do dia, vulgarmente conhecidas como ‘kinguilas’, no município de Talatona, denuciam que, de forma recorrente, são humilhadas e submetidas a tratamentos desumanos pelos agentes do comando municipal, as ordens da sub-chefe, Janexi Gaspar, quando são detidas pela actividade que praticam nas ruas daquela circunscrição da província de Luanda.

Por: Geraldo José Letras

Segundo as mesmas, em declarações ao NA MIRA DO CRIME, quando detidas no Comando municipal, são forçadas a ficar completamente nuas para serem submetidas a um processo apertado de revista que consideram humilhante, além de não lhes serem devolvidas o dinheiro quando restituídas à liberdade por decisão do tribunal.

"Quando nos agarram a sub-chefe manda que os agentes nos dispam a roupa. Ficamos todas nuas, nos mandam abaixar ou agachar, te abre toda que é bastante humilhante, sendo que não somos bandidas nem gatunas e estamos na rua a tentar sobreviver e a procurar o sustento dos nossos filhos”, denunciaram, para depois dizer que, quando são detidas, por exemplo, com 10 ou 20 mil kwanzas o dinheiro acaba por ficar no comando municipal.

“Se te prendem com 500 mil kwanzas é que o valor é encaminhado ao tribunal do Benfica", sublinharam.

Das sevícias que são submetidas, as ‘kinguilas’ são unânimes em acusar uma mulher que orienta aos colegas a submeter as outras mulheres a este tipo de revista como se de criminosas se tratassem.

"Nos mudam para nos ver se colocamos algo no anus. Estão a nos tirar até os pensos para ver se guardamos dinheiro nas partes intimas. Quem nos faz isso é uma mulher. Nós queremos justiça para trabalhar a vontade. O país está mal. Se nós não desenrrascarmos, vamos ajudar como os filhos?”, questionaram, apontando que, se avizinha a epoca das confirmações de matrículas para os filhos e é com os rendimentos que conseguem da venda e troca de moedas que poderão suportar estas despesas, numa altura que o país se debate com uma gritante falta de emprego e a situação social bastante apertada.

Janexi Gaspar: Uma ‘miúda’ de apenas 25 anos...

Para percebermos melhor como supostamente são tratadas quando acabam detidas pelos agentes policiais as ordens da sub-chefe, Janexi Gaspar, a nossa equipa ouviu Sebastião, um dos poucos homens que igualmente vive da kinguila em Talatona.

Este cidadão lamenta o tratamento que as suas colegas são submetidas, atirando-se contra a sub-chefe do comando municipal.

"Essa senhora está a cometer um acto criminoso. Ela tem apenas 25 anos. É uma criança que obriga as suas mais velhas de cabelo branco a mostrarem-lhe o anus. Essa senhora tem que ser controlada porque isso, na cultura africana, além de ser uma grande falta de respeito é crime”, denunciou, para depois dizer quando são detidos, são maltratados e, inclusive, sofrem ofensas morais.

“Se você responde, dizem que é desacato a autoridade. Esses polícias do Talatona nos tratam mal. Será que não tem polícia que tem mulher zungueira? Queremos apenas que nos dêem paz. Deixem de roubar o bocado que conseguimos com sacríficio porque não podemos continuar a sofrer", denunciam as kinguilas que pedem anonimato por temerem represálias.

“Quando fui detida mandaram-me tirar a blusa, receberam o soutien sob pretexto de que as kinguilas colocam dinheiro no bolso do soutien. Viram que não tinha dinheiro, mandaram-me tirar a cueca para mostrar se não coloquei dinheiro no anus, alegando que é uma prática das ‘kinguilas’ guardarem dinheiro no anus”, sustentou, garantindo que, em face das ameaças foi obrigada a satisfazer os caprichos ‘animalescos’ dos agentes supostamente a mando da referida sub-chefe.

“Nunca tinha visto uma coisa daquelas. Fui mesmo obrigada a abrir o anus para ela ver se na verdade tinha dinheiro. Naquele dia sai daquela unidade triste", denunciou, visivelmente abalada com a situação.

Mão pesada contra as ‘kinguilas’

Para apurar os factos, contactámos o comandante do Comando Municipal, Flaviano Manuel, que confirmou a mão pesada da polícia sobre as kinguilas, justificando que "a acção da nova direcção do comando municipal, visa acabar com a desordem que sempre se viu nas ruas de Talatona”, disse, garantindo que tais desordem, chegam a ser um perigo a segurança das próprias kinguilas.

Em relação aos supostos actos humilhantes e tratamento desumano às ‘kinguilas’, Flaviano Manuel desafia as queixosas a "participarem o caso ao tribunal do Benfica, porque a polícia sempre actuou segundo a lei".

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