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Congresso do MPLA dividido entre a reconciliação e a fractura

Congresso do MPLA dividido entre a reconciliação e a fractura


O MPLA, partido que governa Angola, desde 1975, realiza, em Dezembro, o seu VIII Congresso que para além de prever a renovação de 55 por cento dos seus membros e o aumento da representatividade das mulheres nos órgãos de direcção a todos os níveis, vai também traçar a estratégia eleitoral e reforçar a coesão interna.

Por: António Kañeneñene 

Os debates esperam-se mais activos, sobretudo se houver abertura nas discussões e candidaturas múltiplas para o cargo de presidente do partido. 

Já se aventa a possibilidade do VIII Congresso do partido no poder vir a ter, pela primeira vez na sua história, mais de uma candidatura para o cargo de líder do partido, abrindo alas para discursos opostos sobre como se deverá agir para manter a sua hegemonia. 

Nos corredores mais estreitos do partido dos camaradas, como também é chamado o MPLA, reina muita expectativa à volta daquilo que deverá ser o debate interno, tendo em conta o notável movimento contestatário à actual liderança. 

A pretensa entrada em cena de múltiplas candidaturas pode ser benéfica porque possibilitará os congressistas olharem para o partido em vários ângulos, deitando por terra o conceito de 'one man, one show'. O que torna mais perigoso para o MPLA, nesta fase, é pensar em ter apenas um ponto de vista. 

Desprovido do hábito de ver candidatos a perfilarem com o líder no desafio eleitoral interno, o partido pode criar condições para endurecer muito mais os requisitos que habilitam determinado militar a candidatar-se.

São, por agora, imprevisíveis os referidos requisitos, que são ou serão criados pela Comissão Nacional das Candidaturas a quem os interessados se devem dirigir. 

Mas mais importante ainda, será a direcção do MPLA perceber que o discurso político entre militantes já não tem o mesmo sentido e que, de 2017 para cá, e com o combate a corrupção a incidir principalmente nos membros do partido dos camaradas que terão delapidado o Estado em milhares de dólares, não foi possível  conquistar o coração de todos os militantes, pois alguns deles, hoje, dizem não se rever tanto no partido como se reviam na era de José Eduardo dos Santos, quando o banquete esta a mercê daqueles que facilmente podiam chegar aos corredores do palácio da Maianga.

Hoje, são chamados 'marimbondos' por se oporem à governação de João Lourenço.  Logo, não será surpresa se no conclave de Dezembro, os congressistas se depararem para além de João Lourenço, com outras candidaturas de quadros ligados a José Eduardo dos Santos, desde que (pode ser um requisito) não tenha um processo-crime em curso na Procuradoria Geral da República. 

Se a ideia é ter um congresso que vai servir para afinar a estratégia com vista ao desafio das eleições gerais de 2022, "que o partido está a trabalhar para vencê-las", nada será prudente senão desfazer a aparente existência de ala reformista e outra ortodoxa que defende o 'Erduadismo'.

O contrário pode ter repercussões negativas nos desafios eleitorais que se avizinham.

Irene Alexandra da Silva Neto, filha de António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola, poderá concorrer a presidência do MPLA, ao congresso ordinário  agendado para Dezembro deste ano, para “acabar com as políticas divisionistas, que destruíram a unidade interna e nacional”, conforme revelações do porta-voz da Fundação Agostinho Neto (FAN), Artur Queiroz.

Num artigo reproduzido pelo Club-K, Artur Queiroz igualmente jornalista adianta que um grupo de “notáveis” do partido decidiu convidar a médica Irene Neto a apresentar no Congresso de Dezembro uma moção de estratégia e a sua candidatura à liderança. Queiroz alega que este dado caiu como uma bomba na direcção do MPLA.  Assim como Irene, nos corredores do edifício do partido dos camaradas, Boavida Neto é também apontado como um possível concorrente a presidência do maioritário. A razão da sua candidatura poderá ser limpar o nome dos ´marimbondos’ que vão perdendo hegemonia na linha da frente da actual governação.

Centenas de militantes do MPLA, dos municípios do Cazenga e Cacuaco, em Luanda, reafirmaram, sábado (9), o apoio ao líder, João Lourenço, em actos de massas realizados, em espaços abertos, nos distritos do 11 de Novembro e Sequele.

O segundo secretário do MPLA em Luanda, Nelsom Funete, enalteceu o  compromisso do  líder do partido para a manutenção  da paz e a estabilidade política e social.

 

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